sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Parte 4 - Contando Segredos.



   Silêncio, a completa ausência de som. Estado que aqueles que se dedicavam a tal estudo acreditavam ser quase impossível de se alcançar nas condições terrenas. Onde qualquer vibração sônica seria incapaz de perturbar o interior de seu ouvido, seja pela interferência de outros meios ou de pela falta de um meio por onde se propagar.
   Era isso que Mariana mais desejava no momento, por que estava sendo obrigada a escutar os mais diversos estilos musicais que os outros ocupantes do transporte público haviam decidido compartilhar com os outros passageiros!
De fato, nunca fora um problema tão grave, do tipo de coisa que se lê na internet, se ouve dos amigos, mas nunca é com você. Aquele repertório de qualidade questionável, daquele ser que insuspeitosamente acredita que haverá um caça talentos dentro de um ônibus, e pior, que ele esteja à procura de um DJ de coletivos!
   Mas agora era uma realidade para ela. Pois o seu guardião, seu guarda costas para esse tipo de agressão (agressão, claro!) não estava mais ali. Estava oficialmente de luto! Nesta manhã havia encontrado o seu I Pod em pedaços, em cima da cômoda. E é claro, como qualquer pessoa normal, havia encontrado a resposta mais lógica para o problema. Gritara pela mãe, obviamente só ela poderia explicar aquilo, aquela tragédia!
   Fora imprudente, fora mal-educada, fora burra! Ok, estava nervosa, pelas razões erradas para falar a verdade. Afinal, apenas depois que sua briga com a mãe havia terminado ela se tocou que o aparelho não deveria estar ali, teve então um pouco de dor de cabeça para assimilar os fatos. 
E era isso que a salvava no momento, tentava entender como o I Pod estivera ali nesta manhã! Não era possível, decididamente não era nem um pouco plausível!
   Em meio aos embalos de "Eu quero corda, eu quero corda, eu quero corda, corda, cordar contigo aqui comigo!”, sucesso do momento, ela quebrava cabeça para racionalmente entender o causo. Ela mesma poderia ter quebrado o aparelho na hora da fuga, e ter deixado em casa antes de sair noite passada, ou não, ou algo assim. Não estava tendo muito êxito. A mãe também não ajudara muito, precipitara-se a gritar com a filha quando esta começou a gritar também, a partir daí a conversa não havia rendido muito!
   Mas a verdade era essa, seu companheiro musical a abandonara, e agora ela pagava o preço, ela, Gustavo Lima e você!
   Desceu do ônibus com mais entusiasmo do que o usual. O sol quente fez questão de saudar a cabeça castanha que se expos, e o fez caprichosamente. Olhou ao redor, se certificando de que era mesmo a parada certa. Bom, havia acertado o local. Isso era muito, um verdadeiro mérito para alguém que havia se mudado para a cidade ha apenas seis meses. Sentiu orgulho de si mesma e até mesmo quase esqueceu de que havia tido quase uma hora inteira ouvindo um playlist alheio a sua vontade.
   Subitamente, sentiu dois dedos gêmeos, sincronizados e malditos acertando seus flancos, causando o habitual choque em baixo das costelas que ela odiava tanto!
- Filha da put...CLARA!!!- Disse quase em sussurro, palavrões nunca foram um hábito bonito, ela sabia, mas foda-se, ninguém ouviria se falasse baixinho:
- E aí, de boa?- Clara estava ainda com a camiseta azul de tintas em suspensão, claro, devido ao seus gotes com pintura, era comum que ela demorasse mais a trocar as roupas desse tema por outras. 
- É, quer dizer, não, meu I Pod quebrou...- Enfim alguém que ela não poderia culpar e nem ao menos iria gritar com ela por causa disso.
- Putaquepar...! Como isso aconteceu?-
Ok, ela gritou, e pior, xingou de coisa pior que a própria mãe..
- Eu sei lá, acordei e ele estava quebrado ao lado da cama, não sei mesmo!- Era a hora de desabar, mas ainda não se sentia confortável para isso, no meio da rua?
- Calma, bora entrar na lanchonete primeiro, não quero ser assaltada! - Caminharam juntas em direção a uma confeitaria, que já era costume das duas frequentar.
   Entraram, não havia muitas pessoas no momento. A padaria era decorada em tom marrom, acolhedor, um aroma que tangenciava o doce preenchia o local, o suficiente apenas para sugerir a especialidade da casa, mas sem desencorajar a pessoa a provar de seus lanches salgados também.
   Sentaram e logo estavam prontas a continuar a conversa, quando Clara decidiu que primeiro pediriam o que comer. Ela ficou esperando...e quando a comida chegou, devorou o que quer que fosse em velocidade alucinante, queria falar, ouvir da amiga uma opinião mais sensata, ouvir algo que a declarasse "não-louca":
- Pronto, conte como foi que ele quebrou- Disse a dona dos cachos negros, usou o tom de voz que se utiliza quando se tenta acalmar alguém em prantos, o que fez Mariana até mesmo olhar pra trás, procurando quem estava chorando.
   Bom, ela já havia decidido, se contaria a alguém a verdade, teria de ser à ela. Afinal, não teria uma opinião válida se ficasse cortando pedaços, contando só o que interessava. Por outro lado, contar que acordara em cima de um prédio, um pouco depois de ser atacada em um beco diminuíam drasticamente as chances de ser declarada sã.
- Ok... mas fica quieta e deixa eu terminar...- Contou tudo, tudo o que pode se lembrar ao menos. Não percebeu, mas em certas horas sorriu enquanto narrava com certo "quê" de aventura, onde ela era a protagonista. Clara não sabia se a esbofeteava ou se ria. Ou se quer se acreditava! 
Por fim, ficou olhando esbaforida para a amiga, atônita a maneira como ela encerrava a narração onde ela mesma virara uma personagem.
- E você está assim por causa de um I Pod...O QUE É QUE VOCÊ TEM NESSA DROGA DE CABEÇA HEIM?!?! DEUS! PODERIAS ESTAR MORTA AGORA SUA IDIOTA!!! E A SUA MÃE NEM FAZ IDÉIA, AH NÃO, VOCÊ NÃO PODE FICAR ESCONDENDO ISSO! E A POLÍCIA, COMO É QUE VOCÊ NÃO DISSE NADA A ELES, FUGIR DE UM LOCAL ASSIM É CRIME SUA BABACA!- Ela explodira, claro, nem todos tinham os nervos de aço de Mariana, mas agora ao menos umas quinze pessoas estavam sabendo de parte de sua história, graças ao discurso de Clara.
- Clara PARA! Tá todo mundo olhan..bora, vamos em bora!- Jogou as mãos na direção da boca da amiga, silenciando o surto justificado. Levantou-a da cadeira, tarefa fácil para alguém com muita altura se comparada à outra. 
   Seguiram descendo a rua, tendo o sol castigando suas nucas. Decidiram se recolher em um espaço aberto, em frente a uma igreja, onde uma praça agora sediava todos os tipos de festividade da paróquia, mas que no momento possuía apenas um ou dois ciclistas.
   Após o surto, Clara concordou em analisar a situação sob o ponto de vista racional que tanto a valorizava. Veredicto: 
- Você mesma quebrou e deixou em casa, sem se ligar, possivelmente preocupada em não deixar a tua mãe perceber o que acontecera!- Disse, como quem dava um diagnóstico claro, "Bolinhas vermelhas no rosto? Sarampo ora!".
- Não Mulher, to te falando que eu saberia se tivesse sido eu!- Ela precisava se incisiva, não tardaria a chegar a hora de voltar pra casa e almoçar e ela queria chegar a uma conclusão.
- Claro que foi? Sabes que és distraída, por que não? E pelo o que eu entendi, teve uma hora que você desmaiou, pode ter quebrado na queda. Sim, és distraída, não faça essa cara! Quer apostar? Olha o que eu peguei!
Arregalou os olhos de surpresa, a amiga estava com o seu anel nas mãos. Brincando com ele, passando de um dedo para o outro como se fosse uma moeda!
- Quando foi que...tudo bem, não quero saber! Mas isso não explica como eu fui parar em cima do prédio, explica? Tá, me dá isso!- Precisava ter de aguentar esse tipo de coisa da amiga, não era incomum que ela pegasse coisas de suas mãos, sempre através da desculpa descarada de "carinho"
- Ué, sonambulismo rsrsrs- Oficialmente Clara não estava mais levando a conversa à sério, aliás, Mariana não estava mais sendo levada à sério.
A conversa das duas não tardou a tomar outro rumo. Não demorou a passar por diversos outros assuntos menos sérios (mas ainda mais sérios que Mariana). Até que as duas declararam que deveriam voltar. Tecnicamente, Mariana estava em um período perigoso, até a raiva da mãe passar.
   Chegando a casa, refez a rotina de cumprimentar Deus e o mundo, qualquer um que passasse por ela. Não que fosse falsidade, mas ela aprendera a ser educada e, bom, aprendeu que era sempre bom contar com a boa vontade das pessoas quando precisasse. Educação abria portas. 
   Entrou pela porta da cozinha, o apartamento lhe dava esse luxo. Não que fizesse diferença, pela disposição dos aposentos uma porta ficava ao lado da outra para que olhasse pelo corredor do prédio.
Sua mãe, ao que parece passara o dia deitada no sofá, e agora assistia um seriado qualquer em um dos diversos canais da TV à cabo.
- Oi mãe, trégua valeu?- Disse, balançando a mão, simulando uma bandeira.
- Boa tarde. Vou começar a achar que você realmente esquece as vezes o caminho de casa...
- Olha mãe, sério eu queria.
- Para, não precisa...eu sei que aquilo era importante pra você. Sei que estavas nervosa e por isso eu vou te entender. Sou sua mãe, não preciso que você venha se explicar, saíste daqui de dentro ó- E apontou para o próprio ventre, e por alguns segundos, Mariane pôde sentir saudade do tempo em que mais que carne e líquidos, sua primeira morada era feita do carinho e amor que agora eram capazes de destruir todo o clima ruim que estivera entre as duas...
   Com os olhos marejados subitamente, o que era raro, ela se projetou eu direção à mãe, buscando um abraço. Depois de recebe-lo, teve como um bônus um pedido:
- Agora aproveita e lava aquela louça ali, tá desde ontem e eu to com preguiça! Vai lá chorona rsrs!
   É né...da hora a vida...
   Mas tudo bem, se fosse de outro jeito ela teria que se preocupar com os remédios e pílulas, sua mãe não estaria bem!
- Mas ó, anda logo que você tem serviço! A Dona Marília quer que você vá cuidar da filha dela daqui a uma hora e meia!- Disse da sala, mudando de canal, braço erguido, desplicente, balançando sempre que o canal trocava!
- Jura? Caramba...queria dormir mais- Era verdade, o maldito passarinho a acordara no horário de quem saía para buscar emprego - Quando foi que ela pediu isso? Ela ligou?- Gritou da cozinha, o que dada a distância mínima dos dois cômodos era totalmente desnecessário
- Não não, e não vais dormir não, afinal deixaste ela na mão ontem. Ela me pediu isso ontem mesmo, de noite quando vieram aqui. - Disse a mãe, ainda displicente, mas com um tom de advertência que se fazia necessária por já conhecer os interesses da filha.
   Algo fez um som de vidro quebrando, e Mariana sentiu o sangue jorrar farto do dedo quando o estilhaço de prato passou voando da pia, cortou sua pele e passou a milímetros de sua bochecha.
   O palavrão foi suprimido, ela aprendera a fazê-lo na presença da mãe, e se conteve a virar para ela e perguntar:
- A Tia Marília esteve aqui? Que horas? Por que não me contou?
- Esteve, ela veio aqui uns minutos depois que você saiu de casa com aquela pressa toda, eu tinha acabado de comentar dela pra você, acho que não ouviste, vieram ela e a filha...Mariana, Deus! Você está pálida...

domingo, 12 de agosto de 2012

Parte 3 - Amizade perdida.


      Ofegava, e somente sabia disso graças ao acordo que corpo e mente haviam feito tempos atrás, cada um faria sua parte sem interferir nas tarefas do outro. Somente assim, aquela garota magrela que mal atingira 19 anos poderia estar correndo pela rua com tantas coisas vagando pela cabeça.
   Na verdade, não é que estivesse totalmente avulsa do mundo, não dessa vez, mas precisava no momento que as pernas obedecessem ao ultimo comando dado: repetir seu trajeto desde que saíra daquele prédio. E como bons empregados que sempre foram, elas mantinham sua tarefa sem ficar toda hora perguntando ao patrão para onde deveriam ir, pedindo orientações. Ela não precisava disso, tinha mais com o que se preocupar, na cabeça, contabilizava o prejuízo, mais ainda não queria admitir!
   Já era tarde da noite, ao menos nos padrões comuns para quem não tem uma vida social muito ativa. Noite atípica, onde as luzes de uma modesta metrópole não haviam conseguido sumir com todos os astros do céu. A garota continuava correndo, ainda com a roupa suja que vestia desde o início da tarde, saíra de casa sem ter se trocado, na urgência de quem espera que o tempo que demorou a fazer algo não signifique a fronteira entre sucesso e fracasso.
   Evitou demonstrar qualquer sinal de pressa ou de ansiedade ao passar pela guarita do condomínio, quanto menos soubessem de sua vida melhor, e sair às pressas de casa quase onze horas da noite, ela sabia, renderia assunto para duas ou três semanas!
   Passou pelas travessas que constituíam seu bairro, vendo becos e semáforos como se por detrás de uma janela em dia de chuva, sem assimilar tudo, se aproveitando do piloto automático em que estava, graças a ele, poderia se focar no que fazer caso não achasse o objeto que estava procurando. Ela ainda não entendia como pudera ser tão desleixada. Mentira sabia muito bem. Mas ainda assim era um absurdo que tivesse acontecido com algo que ela tanto usava, como poderia ter deixado algo tão importante de lad... . Parou, de forma tão brusca que os protestos das pernas poderiam ter chamado a atenção dos vizinhos da janela aberta que acabara de passar.
   Como se estivessem aguardando o momento certo, as lembranças do que acontecera mais cedo começaram a voltar, acompanhadas das dúvidas, pânico, sensações que ela não lembraria se tivesse escolha, tudo isso sem motivo aparente. Precisou se esforçar para perceber o que causara essa súbita lembrança. Ela havia pegado um caminho aparentemente mais rápido, e na pressa estava ha apenas meia quadra de onde o encontro com o bando de garotos de rua acontecera.
   Ela entendia disso, havia lido em algum lugar que o inconsciente usava de artifícios para evitar que a pessoa entrasse em uma situação de perigo já experimentada antes, mesmo que fosse uma lembrança residual, em casos extremos. Na concepção dela, aquele era mesmo um caso extremo.
   Sem se dar conta, ficou estática, mãos no bolso do moletom encapuzado, encarando a esquina, da ultima vez que a vira, estava no alto do prédio ao lado. Nem se ariscara a olhar de novo quando saiu de lá, e agora não havia qualquer sinal de que uma equipe policial estivera no local, talvez a própria polícia não tivesse dado a devida atenção.
   Mas o que importava era que ela não parecia capaz de dar um passo se quer naquela direção. O motim das pernas finalmente havia estourado, e parecia que duraria mais do que greve de instituições federais! Conforme os segundos passavam, ela se dava conta de que estava em um dia particularmente imprudente! Visitara a amiga sem avisar, andara por uma região perigosa sozinha, caíra na armadilha de marginais, evitara as autoridades, escondera qualquer informação da própria mãe ( que fez o favor de não perguntar nada também...), e agora voltara para o local onde tudo havia começado, por culpa de um aparelho simples ( NÂO!) que ela dava uma importância absurda! Sozinha, suja, cansada e com fome por que fora burra o suficiente para deixar um I Pod cair do bolso, mas a estupidez nem se comparava ao fato de ter saído de casa para ir procura-lo, a possibilidade de alguém tê-lo levado nem lhe passara pela cabeça!
   Tudo isso passava pela cabeça agora com tanta clareza, que ela se questionou de onde vinha a súbita prudência. Não precisou pensar muito, estava com medo, era simples, não queria estar ali e se xingava mentalmente por ter se colocado naquela situação. De repente o aparelho já não parecia mais tão importante, poderia até mesmo pedir outro para o pai antes que ele voltasse de viagem. O problema seria inventar uma desculpa para tamanha urgência, uma que convencesse a mãe de que nada estava errado.
   Agora que pensara melhor, ela estava com a sensação de que ouvira a mãe tentar lhe falar algo, possivelmente que comprasse algo...quando algo lhe tirou dos devaneios:
- Mariana...?-
   O susto foi algo diferente do habitual das pessoas, do tipo que lhe faz ficar imóvel, ao invés de gritar e pular para o lado. Virou-se para encara o recém-chegado, embora pelo tom de voz essa pessoa não parecia ter chegado agora, parecia ter sido uma segunda ou terceira tentativa de contato.
   Ao se virar, deparou se com uma figura mais baixa que ela própria. Usava uma camiseta azul, com estampas mostrando diversas manchas de tinta em suspensão em água, cadarços amarrados em uma calça leg, sob um blusão escuro. Cabelos cacheados, negros e cheios coroavam um rosto que tantas vezes a fez compania quando precisava conversar. A garota de azul se aproximou mais uma vez, sorrindo percebendo que obtivera resposta:
- Putz, faz isso não, não faz ideia de como estavas tensa parada aí olhando por nada! Vem cá, tá fazendo o que aqui? A essa hora...Mariana, falei com você!
   Mariana precisou de dois segundos para ela mesma perceber que a presença era amiga, de repente o beco já era mais tão perigoso assim. Era essa a vantagem de estar junto de Clara, ela passava essa sensação de leveza, de que nada era tão sério quanto parecia.
- Não, não foi nada não! Eu ouvi falar do que aconteceu por aqui hoje, e sabe como é né? Nada acontece por aqui nunca, achei que dava pra vir dar uma espiada, coisa rápida!- Disse, tendo mais uma vez que apelar para sua dissimulação, ainda que a amiga quase nunca caísse, mas que opção tinha?
- Bom, não pareceu isso não, você ficou aí, toda estranha, olhando pro local do incidente, é, eu ouvi disso sim no instante em que voltei pra casa. O vigia comentou com o meu pai, que fez questão de me proibir de sair dez segundos depois!- Disse como quem comentava o ultimo jogo de volei do colégio.
- Mas se você saiu...seu pai...?-
- Relaxa, ele foi beber um pouco, não deve voltar tão cedo!-
- Tentei passar na sua casa hoje de tarde, mas você não estava!- Deixou escapar, e logo em seguida se amaldiçoando por ter deixando tantos detalhes fugirem assim, a amiga sabia juntar fatos muito bem!
- Pra que? Me disseste que ficarias ocupada a tarde toda cuidado da filha da Tia Marília, e que não dava pra vir hoje, então saí com o meu pai...esqueceste foi?- Perguntou, ela tinha um jeito de levantar as sobrancelhas que, para Mariana já era um sinal claro de que estava sentindo algo errado na história!:
- Pooorra! Tens razão!! Fiquei mesmo...o pior é que a pirralha é um porre, gosta de atenção o tempo todo, não é do tipo que bagunça, mas não desliga nunca e está sempre falando, mesmo que não seja com ninguém! A mãe dela ia me pagar bem, cacete...-
- Putz, se ferrou legal! Bom, já que já vimos tudo o que tínhamos que ver...
- O que eu falo pra mãe dela?...
- Ô, sai dessa, amanhã você fala com essa senhora e te explica, diz que estava ocupada e que não deu pra ir, estavas fazendo o que mesmo?
   Ok, pra mãe era uma coisa, agora mentir pra amiga era mesmo algo difícil, pensou rapidamente em alguma coisa simples, que não tivesse detalhes muito elaborados, complicados de se lembrar depois, mas foi poupada do trabalho pelo celular tocando:
- Só um inst...AAAAH MÃE! Não grita! Quê?!!?!?! Sim, sim, eu to sabendo do que houve! Sim, foi aqui perto e daí? Onde eu tava? Como assim já falou com o pai da Clara? Ah tá, estas bebendo com ele, aff mãe... Olha mãe, não posso falar agora, vai pra casa que eu explico tudo! Ok? Tá, te amo lindona!- Olhou pra amiga, que como era de se esperar, pareceu ter assimilado muito bem a informação de que nem a mãe sabia onde ela estivera no fim da noite...
- Olha, minha mãe tá me querendo em casa agora! E já que o seu pai estava com ela, ele vai voltar agora mesmo, se eu fosse você voltava também, ou vai ser pega! Anda, xô mulher!-
- Você vai me explicar isso direito, uma hora ou outra, sabe disso!-
- Tá, tá, penso no seu caso amanhã, até mais tarde!- E se virou indo na direção de casa, sem sinal algum da urgência que a trouxera até ali, esquecida até mesmo do que a levara para o local que estava...
   Não chegou a cumprir o prometido, aquela noite não usou o computador, não entrou na internet nem teve sua dose diária (matinal uns diriam) da vida social on line. Estava exausta, mental, social e fisicamente! Fora muita coisa pra ela, sentia-se mal por não poder contar à amiga a verdade, mas queria chegar logo em casa, entrar no quarto e fingir que estava dormindo, o banho teria de ficar para amanhã, os interrogatórios da mãe quase nunca alcançavam o dia seguinte.
   Estranhamente não teve os sonhos repletos de cenas de cadáveres ou de garotos perdidos em seus próprios mundos de drogas e marginalidade, nem de atentados contra sua vida ou carreiras pelas ruelas e becos do bairro, só o que pode lembrar-se de seu sonho foi o rosto de sua amiga a acordando do transe em frente ao beco do massacre, falando coisas inaudíveis enquanto ela percebia uma figura escondida por detrás da cena, entre uma área de penumbra onde os postes deficientes de luz não tinham competência para iluminar.
   Havia alguém ali, não escondido, mas desafiando-a de ir averiguar sua identidade, sem ajudar nem atrapalhar, como se testando sua coragem. Um vulto que a enfrentava a se aventurar.
   Acordou ainda exausta, o sol ainda não surgira, e ela não sabia que horas poderiam ser. O passarinho de sempre fazia festa na árvore do lado de fora, gritando como se todos tivessem seu pique e cronograma de madrugador, uma completa falta de respeito pelo sono dos outros!
Limpou a sujeira dos olhos, só o suficiente para que pudesse abri-los, e tentou alcançar o celular al lado da cama, deixara no criado mudo onde o despertador pudesse ser calado e lhe cedesse a meia hora de tolerância que sempre se auto presentava!
   Quando sua mão tocou o aparelho esbarrou em outra coisa de tamanho parecido. Demorou apenas vinte segundos para assimilar e olhar com mais atenção para o que estava ali em cima, fazendo companhia para o telefone. Se tivesse um meio de registrar a velocidade com que os pulmões se esvaziam, ela sabia, teria batido um Recorde. Ali em cima do móvel encontrava-se o I Pod que tanto problema causara na noite anterior, com a tela totalmente estraçalhada e sem o menor sinal de como havia ido parar ali.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Parte 2 - Minha mãe é a melhor!



   Já fazia 4 horas desde que ela acordara naquele terraço. Devido à altura, o frio cobrava seu preço, procurando cada brecha no casaco que ela usava como cobertor ao redor de si mesma.
   Estava ali, na mesma posição desde que se dera conta de onde tinha ido parar, desde que visualizara a cena em que estivera, e que não conseguia explicar como saíra.Claro, a esta hora, as autoridades já haviam empacotado boa parte dos pedaços, mas ela sempre fora do tipo imaginativa. Era capaz de enxergar em sua cabeça como estariam aqueles garotos antes que os policiais chegassem.Em cima das latas, espalhados pelas poças, em uma terrível bagunça onde ninguém conseguiria reclamar suas partes de direito. Se antes a vida os havia tornados unidos, encontravam nessa retalhação a mais doentia comunhão.
   Ela balançou a cabeça novamente, tentando afastar as cenas da mente, não queria ver aonde isso iria dar, pior, não queria tentar se colocar ali, ainda tinha esperanças de dormir, quem sabe daqui a uma ou duas noites, o que não conseguiria se fosse mais que espectadora, ela tinha de se convencer de que havia saído dali antes que o que quer que fosse tivesse acontecido.
   Com uma súbita noção da realidade, percebeu a ausência das sirenes. Isso estava se tornando constante, momentos em que o corpo simplesmente ignorava que deveria avisa-la do que acontece no mundo. Claro, antes ela culpava o I Pod por isso, mas estava ficando sem bodes expiatórios.Tentou levantar, o que absurdamente pareceu fácil.Não arriscou uma nova olhada pela borda, muito melhor seria descer pelas escadas e, se encontrasse alguém, um inquilino ou um policial, fingira ser uma moradora, ou quem sabe uma visita.Descobriu que o edifício era menor do que imaginava. 
   Cinco pavimentos, quando julgava ser uns sete, chegou até o térreo mais tranqüila, andar lhe fazia pensar melhor, sempre havia sido bom e a desculpa perfeita para deixar de lado qualquer coisa que estivesse lhe aborrecendo.Por sorte, a entrada do prédio ficava longe do beco, e ela pode fingir que não havia nada de mais por ali, seguiu pela rua paralela, um pouco mais cheia de gente. Claro, agora sim as pessoas apareceriam, depois do que houve, todos querem ter um assunto para o dia seguinte: "To te falando, eu vi, falo sério, havia sangue por toda a parte, se eu não fosse macho pra caramba teria vomitado ali mesmo!", "Eu realmente tive sorte, havia passado por lá de manhãzinha, se não fosse pela minha sobrinha que me ligou...".Gente imbecil, transformando tudo em mais uma maneira de exaltar a si mesmo.
  Passando pela guarita do condomínio, fez todo o protocolo, deu boa noite ao porteiro que,sabia ela, conversaria sobre o horário que ela estava chegando com qualquer um que parasse tempo suficiente perto dele. Passou pelo playground onde teve anos de esfolamento de joelhos e palmas das mãos.Olhou pela janela de casa, procurando sinais de que a mãe estivesse por lá.Luz. Estava. Que droga...estava tarde, e ela não tinha avisado nem dado sinal de vida.
   Achou melhor ficar na dela, suas visitas sempre demoravam mesmo, o lance é que dessa vez talvez tivesse exagerado, mas dado os últimos acontecimentos, sua mãe até que estava no lucro, ela poderia nem ter voltado pra casa. Precisava parar com esse tipo de humor negro.Entrando pela porta da cozinha, contou até sete e ouviu sua mãe gritando lá de dentro:
-  Lembrou que tem casa....-
 Ela já havia aprendido a lidar com esse tipo de piada, mas não

 estava com paciência pra isso:
-  Oi mãe, boa noite também. Alguma novidade?- Deveria ter investido nas aulas de teatro, decididamente tinha talento para dissimulação:
-  Ah não, tudo na mesma, seu pai já viajou, ele queria poder te levar pra comprar aquela calça, mas como você não apareceu, fica pra semana que vem, ou eu posso ir com você sabe... .-
   Isso era outro ponto que decididamente ela estava acostumada, sua mãe tentando dar uma de coruja, para que? Era uma espécie de disputa:O que acabaria primeiro, se a imaginação dela para passar a perna na filha, ou a paciência desta. Ao longo dos anos teve altos e  baixos, mas ela até que tinha se esforçado recentemente... :
-   Aaah...não não, pódeixar, nós vamos semana que vem. Além disso, a senhora não dirige, não vai querer ir de táxi nem pegar ônibus a esta hora, não é?
-   Não enche! Eh eh eh, ok, você venceu, mas depois não reclame quando eu esconder o seu mp3,4, 360 ou sei lá o que!
-  Mãe, é um I Pod, e o 360 é o meu video-game,sinceramente, não é uma conta muito difícil!
-  Tá tá...a propósito, achei aquele seu fone enorme, que te deixa igual a um E.T., ele tava lá, metido na roupa suja.-

-  Brigada, ó mãe, te adoro! 

-  Notável filhinha...notável... .- Não era uma mãe de todo mal, se comparada à maioria que nunca tem tempo pra conversar ou falar merda com a filha como a dela fazia, até que se podiam considerar amigas. 
   Mais isso poderia esperar, ela estava cansada de ter de usar aqueles fones que se metiam em seus ouvidos, sua orelha já não era grande coisa, alargadores, brincos e piercing nunca foram uma opção por causa disso, o fone ("headfone mãe!") era uma das coisas que ela mais gostava, um acessório que não poderia faltar sempre que saia, junto do celular, carteira, do I Pod... .A mão foi ao bolso em procura do aparelho, e voltou triste, vazia, se sentindo uma idiota. Garganta ficou seca, o estômago deu um giro que qualquer cirurgião xingaria a mãe se tivesse que desfazer. 
   Sentiu falta de ar. Metade de tudo isso era drama ela sabia, mas não interessava, "CADÊ O MEU I POD!!"Já estava chegando na porta da rua quando a mãe ( que foi jogada 3 metros no ar depois de ser atropelada) disse: 
-  Uh caramba guria! Calma aí onde pensa que vai!?!-
-  Preciso ir atrás de algo mãe, depois a gente se fala!-
-  Pera garota, a Marília ligou, você esqueceu que hoje tinha qu...-

   E ficou por isso mesmo, nunca ouviu o que a mãe havia gritado pois já estava na metade da rua quando a frase terminou.

domingo, 5 de agosto de 2012

Parte 1 - Parque da inocência.



   Era começo de noite, e sentia-se aquele leve cheiro de asfalto molhado, denunciando a chuva que caíra no solo quente até pouco tempo.
   A travessa não estava acostumada a ter visitantes, ninguém em sã consciência passava por ali em dia de semana, feriado talvez, época de outubro, mas bem em uma quarta-feira? Decididamente não poderia ser alguém da região.
   Não dando atenção a toda esta contradição, a garota passava pelo o que já fora o lugar de um imenso parque de diversões, andava no que parecia ser uma tentativa fraca de trilhar uma linha reta, desviando aqui e ali de antigos resquícios que não puderam ser retirados, e que agora davam prejuízos ao dono do novo estacionamento.
   Alheia a tudo isso, a garota continuava entretida, aparentemente manter seu caminho e cantarolar as músicas do I Pod esgotava toda a sua generosa carga de concentração. Ela sabia que era o tipo de coisa que possivelmente a meteria em confusão, e já o fizera, passara vergonha em sala de aula por cantar muito alto sua canção preferia, usando fones de ouvido.
   Mesmo assim, não tinha razão para se preocupar com coisa alguma, logo estaria chegando à casa da amiga, onde poderiam juntas levar a noite se divertindo, consultando a internet ou mesmo assistindo algum seriado.
   Atravessou o parque sem se dar conta, esticando o pescoço para enxergar os dois quarteirões que ainda restavam até a casa da amiga.Por que sempre ela deveria ir até a outra? Isso já passava de amizade e caia no abuso! Mas que remédio, ela sempre cedia, eram as duas, o tipo de amigas que não conseguiam se irritar uma com a outra, ainda que uma evidentemente caísse em desvantagem nessa disputa.
   Foi com tudo isso na cabeça, e ainda com o colossal esforço de andar em linha reta e lembrar-se da letra da música, que ela não percebeu os sinais de ausência na residência da amiga. Janelas, portas, grades, tudo fechado ou com cadeados. A primeira sensação foi de raiva, vontade de gritar, com o primeiro transeunte que se atrevesse a presenciar aquele momento embaraçoso, mas ela sabia que não faria isso.
   A culpa era dela, afinal, quem foi que teve preguiça de ligar antes de sair de casa? Não importava, começava a escurecer, e antes do escuro, o frio lhe incomodava, não tinha muita proteção natural contra ele, o que já havia lhe rendido bons apelidos, decidiu voltar pra casa, e não falar com ela por uma semana, talvez duas...
   Se estivesse com menos coisas na cabeça, talvez tivesse notado que o vigia do parque não estava mais por lá, nos quinze minutos que sucederam a saída dela até a volta ele achara algo mais interessante para fazer que aquilo que fora pago.
   Mas era sempre assim com ela, e se não fosse o cadarço, desamarrado como sempre, lhe forçado a se abaixar para dar-lhe um jeito, ela não teria visto duas figuras se aproximando, visivelmente tentando passar um ar de passeio casual, mas quando se anda por um grande estacionamento vazio, por volta das sete da noite, e muito perto, fica difícil passar a impressão de que se está tão próximo por acaso.
   Agora a situação estava mesmo séria, uma sensação de urgência a forçou a tirar os fones e guarda-los no bolso, embora ela duvidasse que aquilo faria diferença agora. As duas figuras não eram mais altas que ela, com uma segunda olhada por cima do ombro, ela pôde assimilar alguns detalhes: trapos, sujeira em excesso, nada que pudesse ser justificado por menos que semanas sem um banho.
   Ela ouvira casos de pessoas que haviam sido abordadas por mendigos na rua, mas outras vezes era algo pior, garotos de rua que se drogavam muito antes de aprender a ler e que conheciam muito mais o aroma da cola do que o de um condicionador.
   Deu uma tapa na própria testa, aquilo não era hora para se lembrar dessas histórias, não podia ficar em pânico ali, não naquele momento, se ela tinha problemas para se concentrar estando calma, não queria estar desesperada e sem ajuda, nem de seu próprio cérebro...
   Decidiu que discrição não a ajudaria, então caminhou mais decidida com passos mais largos, o que para ela era razoavelmente fácil. Depois de 50 metros arriscou olhar de novo, mas não havia necessidade, antes de virar o pescoço suficiente, ouvi os passos atrás de si se tornarem uma acelerada corrida, abandonando o tom de marcha que já era assustador demais, desatou-se a correr em carreira aberta, dane-se se fossem perceber, não havia ninguém por perto, cedo da noite e não havia ninguém por ali.
   A travessa agora via que sua má fama não era de jeito nenhum infundada, e que aquela garota estava pagando o preço de não dar atenção ao que falavam sobre passar por ali em dias normais, de pouco ou nenhum movimento. A garota correu o que pôde passando por onde conhecia, mesmo que pouco, sentindo os passos descalços se aproximarem cada vez mais.
   Achando que poderia ganhar tempo entrando em alguma transversal (e se orgulhando imediatamente da ideia) dobrou na primeira esquina, pronta pra pedir ajuda para o primeiro desconhecido que encontrasse, e esse trataria agora com delicadeza e não com gritos de raiva.
   O orgulho durou pouco. Se fosse outra situação, perceberia que mesmo tendo pernas mais longas, não poderia ganhar tanta distância assim estando com os cadarços desamarrados. Caíra em uma armadilha, pois o resto do grupo de garotos a aguardava na nova travessa em que esperava encontrar alguma ajuda.
  Olhou-os bem, pois era detalhista e não havia nada mais interessante ali.
  Tinham não mais que 16 anos, cabelos desgrenhados, crespos e lisos, em uma miscigenação que provava que etnia não fazia diferença onde a pobreza e o desespero imperavam
   Vestindo-se não melhor que os companheiros do parque, eles se aproximavam da garota sorrindo, uns visivelmente tão ou mais nervosos que ela própria, mas uns três que vinham a frente mostravam confiança nos olhos, a confiança daqueles que sabem que mesmo que fossem pegos, seriam acobertados pela lei fraca de um país sem pulso, e isso a assustava demais. Agora sim ela se permitiu ficar em pânico.
   Atrás, os dois outros garotos haviam chegado, visivelmente satisfeitos com o trabalho bem feito, a encenação que dera certo, começavam a se aproximar da menina, com a atitude de quem aproveitaria a recompensa primeiro, nada mais justo, eles haviam feito todo o trabalho.
 Já sem ideia do que fazer, ela buscava apoio em qualquer coisa, a parede de alvenaria encardida teria de cumprir esse papel...
   Sentindo o hálito viciado do seu perseguidor, ela tentava manter a cabeça em algum outro lugar que permitisse que ela não estivesse ali quando aqueles inocentes fizessem fosse lá o que queriam, mas ela não queria mesmo estar por ali, de forma alguma... e foi com esse pensamento em mente, que sua consciência a levou para longe, um lugar que conseguia ser mais frio que a palma da mão do drogado que havia lhe perseguido e agora segurava seu braço.
   Acordou com uma brisa gelada, e por minutos não conseguiu entender nada do que se passava. Levou o dobro do tempo para entender o que havia lhe acordado, e sequer lembrava-se de ter dormido.
   Havia uma sirene. Policia? Há claro, por que agora que estava segura é obvio que eles haviam aparecido... Espere, estava segura? Abriu os olhos, e se assustou quando percebeu onde estava: viu o céu primeiro, depois notou os prédios à volta e se deu conta de que estava em um terraço de um prédio.
   Sem se prender a um raciocínio lógico, seguiu os instintos e andou até a fonte dos ruídos, na base do edifício. Era aquele onde havia se escorado, onde havia sido encurralada. Algo visivelmente não fazia sentido, não havia subido até um terraço, e decididamente não havia escolhido deitar-se ali. Olhando para baixo, reconheceu a cena que se espera assistir em um seriado policial, CSI talvez. Mas sem o brilhantismo e fantasia da tevê, a cena era mesmo parecida com aquelas que se vê na capa do caderno policial do jornal, o tipo de cena que nos tira o sono e que se deseja nunca ter de presenciar...

Aquele que deu ouvidos ao amigos.

Pois bem, este blog foi criado como uma maneira de disponibilizar contos. É, razão simples mesmo, mas acreditem, era uma necessidade. Primeiro porque a pessoa que mais os lia o fazia através de um celular, segundo que se não houvesse onde posta-los adequadamente, eles ficariam perdidos entre os históricos de mensagens do facebook de um para outro. Então, achei que deveria dar um destino um pouco mais respeitável para aquele material que, embora não fosse muito elaborado, decididamente merecia mais do que o limbo do espaço virtual. Espero que gostem, que se juntem a uma fã boba que me convenceu a entrar nessa!